02 janeiro 2011

Espiritismo e Religião

     Embora muitos autores do movimento espírita afirmem opiniaticamente que o  "Espiritismo é uma religião", para o codificador da doutrina o Espiritismo não era uma religião, no sentido comum do termo; o Espiritismo era (é) uma religião filosófica. Mas, o que constitui uma religião filosófica? Seria o mesmo que religião no sentido usual da palavra? Não! Eis o fio essencial que talvez resolva toda esta polêmica entre os espíritas de ontem e de hoje. O espiritismo, tal como o platonismo, o pitagorismo, é uma simples religião filosófica. Mas não é, e nunca foi, uma religião usual. Eis a concepção pura do codificador, aprovada e revisada pelos espíritos superiores (numa linguagem espírita). Entretanto, as pessoas continuam afirmando, insistentemente, que a doutrina espírita é uma religião. Isso só gerou (e ainda continua gerando) confusões conceituais, deturpações na prática doutrinária, ignorância da real natureza da doutrina, igrejismos, superstições baratas, crendices ingênuas, e tantos outros elementos distantes da verdadeira concepção espírita. O espiritismo, entretanto, é muito mais que religião; por outro lado igualmente, muito mais que uma ciência, pois esses dois saberes possuem limites nítidos. Talvez ele seja, em sua natureza essencial, mais filosófico, pois as fronteiras filosóficas parecem ser ilimitadas. O espiritismo se pauta em leis naturais (não entraremos no problema sobre o acesso do homem a estas leis ou se as mesmas são o produto de suas concepções idealizadas). Enfim, é preciso que se entenda o que é uma religião filosófica. Para tanto, deve-se conhecer os caminhos da filosofia. E esses caminhos o codificador percorreu com propriedade.


     Aqueles que afirmam que o espiritismo é uma religião, talvez não entendam a verdadeira natureza do campo religioso. Assim, a grande questão é: o que é uma religião? Por outro lado: o que faz de uma doutrina uma religião? Estas questões merecem maior reflexão e debate nos meios espíritas. Mas isso não pode ser feito por espíritos fanáticos-religiosos.


     Finalizemos com uma frase de Allan Kardec para reflexão dos espíritas:

"O Espiritismo era apenas uma simples doutrina filosófica; foi a Igreja quem lhe deu maiores proporções, apresentando-o como inimigo formidável; foi ela, enfim, quem o proclamou nova religião. Foi um passo errado, mas a paixão não raciocina melhor” (KARDEC, OQE, 2002, p.126)


Referência: 


KARDEC, Allan. O Que é o Espiritismo. 46.ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002.

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